Financiamento de imóveis deve ser pesquisado a fundo para não ir do sonho ao pesadelo.

Em tempos de grana curta, financiar o imóvel pode ser a solução, mas é preciso ficar atento ao valor das parcelas, juros e histórico da construtora. Usar FGTS e adiantamentos amortiza a dívida

Comprar imóvel à vista aumenta o poder de barganha, mas em tempos de economia arrastada e dinheiro curto, a saída pode ser o financiamento imobiliário. Modalidade de compra em ascensão na faixa de entrada do mercado, com imóveis a partir de R$ 120 mil a R$ 160 mil, o parcelamento deve ser fechado de acordo com sua a realidade financeira para literalmente não ir do sonho da casa própria ao pesadelo do endividamento. Além do compromisso por anos a fio – que pode ser amortizado com adiantamentos de parcelas que reduzem o saldo devedor final –, fatores como a taxa de juros e o seguro exigido pelas instituições financeiras podem encarecer o valor das mensalidades. Fazer as contas, pesquisar os riscos e vantagens de cada forma de financiamento e ter domínio do contrato são fundamentais.

Disponível a quem é empregado com carteira assinada, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser usado para reduzir o valor final do financiamento. É preciso, contudo, pensar duas vezes antes de decidir sacá-lo, uma vez que o fundo é uma garantia em caso de demissão. Outro recurso que tem sido muito utilizado pelo mercado é a permuta, dando um carro usado ou outro imóvel como parte do pagamento.

O ideal é que a prestação do financiamento de imóvel corresponda a, no máximo, 20% do valor da renda – embora bancos e construtoras fechem contratos de até 30% da renda bruta do comprador. Os juros são sempre definidos no ato da contratação. Por isso, é preciso estudar qual tipo de índice de correção é o mais atrativo. Normalmente é utilizada a Taxa Referencial (TR). Nos casos de correção pela TR, existe ainda o elemento da volatilidade do mercado financeiro, o que pode deixar o valor das parcelas mais altos ou mais baixos de acordo com a flutuação da taxa básica de juros, a Selic.

Especialistas recomendam fazer uma poupança maior e financiar o mínimo possível, para que possa quitar as parcelas contando com uma reserva em função de algum imprevisto.

CONFIANÇA Apesar da queda nas vendas, a análise de risco dos bancos tem ficado menos restritiva desde o início de 2016 e a confiança tem voltado a ditar o tom do mercado, afirma o diretor de programas habitacionais do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Bruno Xavier Barcelos Costa. Segundo ele, os juros mais baixos dos empreendimentos de menor valor são os mais atrativos. Estímulos como os do programa Minha casa, minha vida (segmento voltado para famílias com renda de até R$ 1,6 mil mensais) facilitam a negociação. Os juros do programa do governo federal oscilam entre 4% e 5%, aponta Costa, e há subsídios de até R$ 40 mil para um teto de R$ 125 mil na Região Metropolitana de Belo Horizonte. “Nessa faixa de mercado os juros não aumentaram. Nas cartas de crédito do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) os juros estão um pouco mais altos, mas há muita oferta do mercado. A gente entende que é uma boa hora para negociar, pois a oferta está boa e os preços deixaram de subir do ano passado para este ano.”

 

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